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Quando o lazer cabe na palma da mão, empreendimentos de lazer precisam repensar seu valor

28 de set de 2026 · Gabi monteiro

Por Marina Agibert, CEO da Sparky

O setor de parques e atrações vive um momento de expansão. Em 2025, foram 143 milhões de visitantes e cerca de R$ 9,5 bilhões em receita, enquanto os investimentos projetados chegam a R$ 11,5 bilhões, segundo dados do Panorama Setorial do segmento.

Mas, enquanto novos empreendimentos são anunciados e experiências cada vez mais sofisticadas chegam ao mercado, existe uma transformação acontecendo na relação do consumidor com o entretenimento que merece atenção: a disputa pelo dinheiro e pelo tempo destinado ao lazer está cada vez mais ampla e parte dela acontece na tela do celular.

As plataformas de apostas são um exemplo desse movimento. Não significa afirmar que elas estejam necessariamente tirando visitantes dos parques. São produtos diferentes, com propostas e comportamentos distintos. Mas disputam algo em comum: tempo, atenção e renda disponível do consumidor.

E existe uma diferença importante nessa disputa.

Para visitar um parque, normalmente é preciso planejar, deslocar-se, comprar ingresso, organizar alimentação e, dependendo do destino, até hospedagem. No celular, outras formas de entretenimento estão disponíveis em poucos cliques.

Isso aumenta a responsabilidade dos parques em relação ao valor que entregam.

A experiência presencial precisa justificar o esforço. E não apenas pelo número de atrações, mas por aquilo que não pode ser reproduzido por uma tela: emoção, interação, convivência, surpresa, memória e a possibilidade de viver algo junto com outras pessoas.

É aí que entra um conceito que considero cada vez mais importante para o setor: a economia da experiência. O consumidor não compra somente um ingresso. Ele compra uma expectativa sobre como vai se sentir, o que vai viver e o que levará daquela experiência para casa.

Por isso, tecnologia e inteligência de dados também precisam fazer parte dessa discussão. Conhecer o visitante, entender seus comportamentos, identificar o que gera recorrência e trabalhar melhor a jornada são caminhos para transformar uma visita pontual em relacionamento.

Talvez a pergunta mais importante para os parques hoje não seja apenas “como atrair mais visitantes?”, mas:

“Por que alguém escolheria gastar seu tempo e seu dinheiro comigo, e teria vontade de voltar?”

Em um mercado em que o entretenimento está literalmente ao alcance das mãos, construir esse motivo pode ser tão importante quanto construir a próxima grande atração.